A vida nos coloca diante de inúmeras possibilidades e oportunidades, mas deixamos de aproveitar muitas delas. Por que isso acontece? Um dos motivos é que estamos satisfeitos com o que já realizamos.

A satisfação é um estado desejável. Vivemos em busca desse sentimento, que envolve senso de realização nas mais diversas áreas da vida. Entretanto, estar satisfeito pode ser algo perigoso, por mais estranho que pareça. Existe um risco sutil na felicidade de uma conquista. Isto ocorre, sem que se perceba, quando alguém se satisfaz em um estágio abaixo de seu potencial e de suas reais possibilidades.

Em nossa trajetória, é justo que nos alegremos em cada nível alcançado, mas não podemos deixar de olhar para o alvo. Precisamos sempre avaliar aonde ainda podemos chegar. Não devemos ficar parados na posição atual, a não ser que saibamos ser esta a expressa vontade de Deus para nós. Geralmente, ele quer nos levar além, mas nós queremos recuar.

Vencemos uma batalha, mas a guerra ainda não acabou. Ganhamos um jogo, mas o campeonato precisa continuar. O alpinista se alegra em cada trecho escalado, mas não pode parar no meio da montanha. Ele precisa sempre olhar para cima e continuar. Não existe mérito em se chegar ao meio da jornada. É um lugar perigoso. A queda é sempre iminente. Não adianta conceber e não dar à luz.

O ser humano, em geral, é propenso ao comodismo. E quando se trata de uma posição alcançada com grande esforço, a acomodação parece até justificável. Talvez o estágio alcançado seja bom, e isto é enganosamente satisfatório. Acontece, que poderíamos ter chegado a excelência, mas ficamos contentes com muito menos.

Vejamos alguns exemplos bíblicos: Eliseu mandou que o rei Jeoás, num ato profético, ferisse a terra com uma flecha. Ele o fez por três vezes. Então o profeta, indignado, explicou que este seria o número de vezes que o rei venceria os Sírios. Ele poderia ter ferido a terra muito mais e suas vitórias seriam numerosas. Contudo, ficou satisfeito com pouco (2Rs. 13.18-19).

Temos uma missão, possuímos dons e um grande potencial. Podemos tanto e realizamos tão pouco. Ficamos satisfeitos com parte, enquanto a plenitude nos espera. Nesse caso, nos assemelhamos aos discípulos de Jesus, que estavam satisfeitos em Jerusalém, quando Deus os queria levar aos confins da terra (At. 1.8). Para isso, precisou utilizar a perseguição como incentivo ao movimento. Quando nos lembramos de onde saímos e vemos aonde chegamos, podemos ter esse perigoso sentimento de satisfação. Quando olhamos para frente e vemos o caminho que ainda precisa ser percorrido, então sentimos a necessidade de prosseguir. Se eu me comparar com os mais miseráveis da sociedade e da história, posso pensar que alcancei a glória, mas, comparando-me a Cristo, e ele é o nosso modelo (Ef. 4.13; Heb. 12.2), então reconhecerei que estou infinitamente longe do lugar aonde posso e preciso chegar.

A igreja de Laodicéia considerava-se rica (Ap. 3.14-18). Estava satisfeita com sua situação, mas Deus veio lhe mostrar o ponto de vista divino sobre a questão: a igreja era morna e acomodada. Este é um caso em que o êxito material tornou-se obstáculo à busca espiritual.

Por exemplo, a maioria das pessoas conhece pouquíssimo da Bíblia, mas o pior é que estão satisfeitas com isso. De fato, ignoram os riscos da ignorância e desconhecem os benefícios do conhecimento. Estão satisfeitas porque não sentem falta daquilo que lhes falta. O problema se resume ao óbvio: sentimos falta daquilo que perdemos, mas não do que nunca tivemos. O cego de nascença não sente falta da visão. Ele não sabe o que é isso. Não sente falta da luz, pois não a conhece, mas, na medida em que alguém fala, ele pode entender que a visão é algo desejável. Observe-se a importância de se ouvir a Palavra de Deus. Ela nos dá uma perspectiva daquilo que não podíamos imaginar.

A realidade é que não vislumbramos as vantagens de sermos o que não somos, embora devêssemos ser. Então ficamos acomodados. Não estamos indignados com o nosso estado, pois este é o único que conhecemos. Quando, porém, olhamos a vida de outra pessoa, podemos imaginar como seríamos em situação semelhante. Nesse caso, pode surgir a inveja, mas, se olhamos para o outro como um exemplo plausível, tal observação pode ser positiva e despertadora.

O que conhecemos sobre Deus? Pouquíssimo. Entretanto, quantos estão insatisfeitos em relação a isso? Normalmente, achamos que o nosso conhecimento e experiência já são suficientes.
Antes de sua tribulação, Jó conhecia algo sobre o Senhor. Ele parecia estar satisfeito. Afinal, era homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal (Jó 1.1). Contudo, haveria de aprender infinitamente mais, a ponto de dizer: “Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos.” (Jó 42.5.)

Nas áreas em que atuamos na obra de Deus, alcançamos a excelência? Talvez não, por causa da enganosa satisfação que sentimos com o medíocre estado conquistado.

Muitos líderes estão satisfeitos com os poucos membros de sua congregação. Cada um deles é uma dádiva divina, mas será este o limite do potencial que Deus deu aos seus servos? Nossos talentos podem ser multiplicados (Mt. 25.14). O Senhor no-los deu porque viu que tínhamos capacidade para o trabalho bem sucedido.

Esta deve ser uma das principais diferenças entre os servos de Deus mencionados na Bíblia e os da atualidade. O capítulo 11 de Hebreus nos dá uma série de exemplos de pessoas que fizeram muito, extrapolaram seus limites, e encerra dizendo que Deus reservou algo ainda maior para nós, que somos a sua Igreja.

Deus não faz grandes coisas na vida daqueles que já estão satisfeitos com sua religiosidade, sua experiência ou seu nível espiritual.

Como sair desta condição de paralisia espiritual? Precisamos repudiar a idéia de que sabemos muito ou já realizamos o suficiente. Estamos apenas começando. Pensemos na grandeza do pensamento divino, ainda que não possamos perscrutá-lo. Deus estaria satisfeito conosco?
Por outro lado, não queremos ser eternos insatisfeitos ou sentirmos a insatisfação vivida pelo filho pródigo na casa do pai. Nossa inconformação deve ser razoável, realista, baseada na Palavra de Deus e em suas propostas para nós.

Na vida estudantil ou profissional, no ministério e na santificação pessoal, existe muito a ser alcançado.

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm. 12.2.)

FIQUE NA GRAÇA

Pr. Bruno

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Categorias: Devocional

Douglas Oliveira Rodrigues

Sou jovem, profissional de TI, sei aproximadamente 6 acordes de violão, cristão, adorador, e apaixonado pelo Senhor.

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